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sexta-feira, julho 01, 2005 

Autor do mês da Biblioteca Municipal....

EUGÉNIO DE ANDRADE

José Fontinhas de seu nome civil, nasceu em 19 de Janeiro na Beira Baixa. Em 1932 muda-se para Lisboa com a mãe – figura crucial na sua vida e na sua poética. Naquela cidade, onde passará toda a adolescência, descobre a sua vocação literária e convive com alguns escritores e poetas. Publica, em 1940, Narciso, o seu primeiro volume de poemas, a que se seguem Pureza (1942) e Adolescente (1945). Destes três livros, depois de expurgados pelo autor, foram publicadas diversas composições numa antologia intitulada Primeiros Poemas, cuja primeira edição data de 1977.
Entre 1943 e 1946 Eugénio de Andrade encontra-se em Coimbra, onde estabelece relações de amizade com alguns dos maiores vultos da literatura e do pensamento portugueses da época, como Miguel Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço. Em 1947 torna-se funcionário público, exercendo durante os trinta e cinco anos que se seguiram as funções de inspector administrativo do Ministério da Saúde. Por razões de serviço passa em 1950 a residir no Porto, cidade que adoptou desde então para viver e da qual é cidadão honorário.
Privando com os grandes nomes da literatura portuguesa, tanto da sua geração como das seguintes, Eugénio foi amigo íntimo de poetas de estéticas muito diversas – como Sophia de Mello Breyner, Mário Cesariny ou Luís Miguel Nava – e de críticos consagrados, como Oscar Lopes, António José Saraiva, João Gaspar Simões, Fernando Pinto do Amaral e Arnaldo Saraiva; por outro lado, poeta do mundo, entusiasta de viagens dentro e fora de Portugal, que poeticamente descreve (por exemplo, em Escrita da Terra, de 1974), conhece e corresponde-se com autores estrangeiros, como Angél Crespo, Vicente Aleixandre, Luís Cernuda e Marguerite Yourcenar.
O Governo português outorgou-lhe o grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada (1982) e a Grã-Cruz da Ordem de Mérito (1988). Também o Município do Porto (como, de resto, outros municípios, como Oeiras e Fundão) quis distinguir o poeta, atribuindo-lhe a Medalha de Mérito (1985) e a Medalha de Honra (1989). No ano 2000 foi galardoado com o Prémio Extremadura de criação literária (prémio de carreira para autores da Península Ibérica e da América Latina), com o Prémio Celso Emilio Ferreiro, para autores ibéricos, e com o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores. Finalmente, em 2001, Eugénio de Andrade viu a sua vida literária de mais de sessenta anos reconhecida com o Prémio Camões, o mais importante prémio atribuído a autores de língua portuguesa. Em 2002 recebeu o Prémio de Poesia do Pen Clube Português.

ALGUMA BIBLIOGRAFIA

Narciso (Poesia), 1940
Adolescente (Poesia), 1942
Pureza (Poesia), 1945
As Mãos e os Frutos (Poesia), 1948 ; 2000
Os Amantes Sem Dinheiro (Poesia), 1950 ; 2000
As Palavras Interditas (Poesia), 1951 ; 2002
Até Amanhã (Poesia), 1956 ; 2002
Coração do Dia (Poesia), 1958 ; 1994
Antologia: 1945-1961 (Poesia), 1961 ; 1968
Mar de Setembro (Poesia), 1961 ; 1994
Ostinato Rigore (Poesia), 1964 ; 1997
Poemas: 1945-1965 (Poesia), 1966 ; 1971
Daqui Houve Nome Portugal: antologia de verso e prosa sobre o Porto (Antologia), 1968 ; 2000
Obscuro Domínio (Poesia), 1971 ; 2000
Antologia Breve (Poesia), 1972 ; 1999
Véspera da Água (Poesia), 1973 ; 1990
Escrita da Terra (Poesia), 1974 ; 2002
Homenagens e Outros Epitáfios (Poesia), 1974 ; 1993
Limiar dos Pássaros (Poesia), 1976 ; 1994
Chuva sobre o Rosto (Poesia), 1976 ; 2002
Primeiros Poemas (Poesia), 1977 ; 2000
Memória doutro Rio (Poesia), 1978 ; 1985
Rosto Precário (Prosa), 1979 ; 1995
Matéria Solar (Poesia), 1980 ; 2000
Poesia em Verso e Prosa (Antologia), 1980
Poesia e Prosa: 1940-1979 (Antologia), 1980 ; 1990
O Peso da Sombra (Poesia), 1982 ; 1989
Branco no Branco (Poesia), 1984
A Domingos Peres das Eiras, com umas violetas (Prosa), 1986
Vertentes do Olhar (Prosa), 1987 ; 1998
Porto: Os Sulcos do Olhar, 1988
O Outro Nome da Terra (Poesia), 1988 ; 1989
Poesia, Terra de Minha Mãe (Poesia), 1992 ; 1998
Rente ao Dizer (Poesia), 1992 ; 2002
Contra a Obscuridade (Poesia), 1992 ; 1993
À Sombra da Memória (Prosa), 1993
A Cidade de Garrett (Prosa), 1993 ; 1997
Ofício de Paciência (Poesia), 1994 ; 2000
O Sal da Língua (Poesia), 1995 ; 1996
Pequeno Formato (Poesia), 1997
Os Lugares do Lume (Poesia), 1998
Poesia (Poesia Reunida), 2000
Os Sulcos da Sede (Poesia), 2001
Sete Livros, Sete Retratos (Poesia Reunida), 2002
Pequeno Caderno do Oriente (Prosa), 2002