sábado, setembro 17, 2005 

OUTROS SONS II

DEAD CAN DANCE

O grupo Dead Can Dance consiste essencialmente num duo composto por Lisa Gerrard e Brendan Perry, dois australianos, ambos de origem anglo-irlandesa, que no início dos anos 80 se juntaram para dar origem a um dos agrupamentos musicais mais emblemáticos da música alternativa do final do século XX. E realmente é impossível catalogar a música produzida pelos Dead Can Dance, a não ser como alternativa, o que é sempre um pouco vago, tal não é a quantidade de influências que desfilaram ao longo de 17 anos de carreira, 8 discos de originais e inúmeras colaborações com outros artistas. Elementos típicos da música pop, folk, música medieval, música de origem árabe, misturam-se constantemente com ritmos tribais, ou com música de câmara, de modo a criar ambientes únicos, plenos de espritualidade e de alma. E é precisamente na busca da alma escondida em cada instrumento musical que se inspira o nome do grupo. Para saber mais informações sobre este grupo musical entre no seguinte link: http://www.deadcandance.com/
De destacar ainda a magnifica voz de Lisa Gerrard possuidora de um timbre e de uma sonoridade de cortar a respiração!
Extraído da banda sonora do filme GLADIATOR temos a composição Now You Are Free, um dos temas mais conhecidos interpretada pela cantora e que pode ser ouvido no seguinte site: http://www.epdlp.com/compbso.php?id=524

quinta-feira, setembro 08, 2005 

AUTOR DO MÊS - SETEMBRO



JOSÉ SARAMAGO

Nascido no Ribatejo, mas desde muito novo a residir em Lisboa, José Saramago é um caso paradigmático de escritor autodidacta: com um curso em serralharia mecânica concluído em 1939, vai, ao longo dos anos, repartir a sua actividade profissional pela tradução, a direcção literária e de produção numa casa editora, colaborações várias em jornais e revistas (salientando-se a função de crítico literário que manteve na Seara Nova e o jornalismo propriamente dito, tendo orientado o "SuplementoLiterário" do Diário de Lisboa e sido director-adjunto do Diário de Notícias, já no período pós-revolucionário de 1974-75). Tendo embora iniciado a sua carreira nas letras em 1947, com o livro Terra do Pecado, é em 1980, com o romance Levantado do Chão, história da vida de uma família camponesa do Alentejo desde o início do século até à revolução de Abril e ao advento da reforma agrária, que José Saramago produz aquilo a que já se convencionou chamar o seu "primeiro grande romance". Primeiro porque a partir daí eles se têm sucedido regularmente como outros tantos "grandes romances", o maior dos quais, por ter constituído um autêntico "caso" de celebridade tanto nacional como internacional, com tradução para uma vintena de línguas e adaptação a libretto de ópera, foi sem dúvida Memorial do Convento (1982). Fascinante relato da construção do convento de Mafra e do esforço dos homens que o construíram, Memorial do Convento trata também do sonho do "padre voador", Bartolomeu de Gusmão, e da construção da sua Passarola, que voará mercê das vontades dos homens que Blimunda, a que vê através dos corpos e da terra, irá, pacientemente, aprisionando num frasco. Tudo isto é servido por um estilo que passará a constituir forte marca do autor e que se define, basicamente, pela supressão de alguns sinais de pontuação, nomeadamente pontos finais e travessões para introduzir o diálogo entre as personagens, o que vai resultar num ritmo fluido, marcadamente oral e muito próprio, tanto da escrita como da narrativa. Estas características irão, aliás, contribuir para transformar os seus livros em objecto de interesse para encenadores, músicos e realizadores de cinema: Memorial do Convento, de que o autor recusou autorizar uma adaptação cinematográfica, foi já adaptado a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título "Blimunda". A estreia mundial, com encenação de Jérôme Savary, realizou-se no Teatro alla Scala, de Milão, em Maio de 1990. Também da peça In Nomine Dei foi extraído um libretto: o da ópera "Divara", estreada em Münster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf. De romance histórico se tem inevitavelmente falado em relação à produção romanesca de Saramago, embora o próprio autor recuse tal etiqueta aplicada às suas obras. E se os romances de José Saramago estão definitivamente modelados numa dimensão histórica (quer os que remetem para o passado - a maioria - quer, por exemplo A Jangada de Pedra (1986), que surge como ficção de uma hipótese fantástica situada num futuro), não o estarão menos numa dimensão propriamente humana, naquilo em que a acção e reflexão dos homens, mesmo, ou principalmente, dos mais modestos no interior de cada época histórica, pode pesar para ocasionar desvios, ainda que ficcionais, da "verdade" que a História consignou. Se o romance de José Saramago é histórico, pela dimensão histórica, e fantástico, pela dimensão fantástica, ele é principalmente dos homens e das mulheres na história e da sua capacidade de ver e agir sobre o real para além do crível e do evidente. Parte da extraordinária receptividade que as suas obras têm merecido em todo o mundo, e que culminou com a atribuição do Nobel, dever-se-á, sem dúvida, a esse carácter humanista, a esse reduto de confiança e esperança no poder do humano que a sua obra projecta. De facto, mesmo antes da consagração máxima trazida pelo Nobel, Saramago era já o autor português contemporâneo mais traduzido, com livros editados em todo o mundo, da América do Norte à China, e detinha já um capital de prestígio reconhecido pela atribuição de vários prémios literários internacionais e nacionais - de onde se destacam o Prémio Camões, em 1995 e os prémios Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores (1993) e de Consagração de Carreira, da Sociedade Portuguesa de Autores (1995) -, doutoramentos honoris causa pelas Universidades de Turim (Itália), Manchester (Inglaterra), Sevilha, Toledo e Castilla-La Mancha (Espanha) e graus honoríficos, como o de Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada e Chevalier de l'Ordre des Arts e des Lettres (atribuído pelo governo francês). É, além disso, membro honoris causa do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da Academia Argentina das Letras e membro do Parlamento Internacional de Escritores (Estrasburgo).

PRINCIPAL BIBLIOGRAFIA


Terra do pecado (Romance), 1947 ; 2004
Os poemas possíveis (Poesia), 1966 ; 1992
Provavelmente alegria (Poesia), 1970 ; 1985
Deste mundo e do outro (Crónicas), 1971 ; 2001
A bagagem do viajante (Crónicas), 1973 ; 2000
As opiniões que o D.L. teve (Crónicas), 1974
O ano de 1993 (Poesia), 1975 ; 1987
Os apontamentos (Crónicas), 1976 ; 1990
Manual de pintura e caligrafia (Romance), 1977 ; 1983
Objecto quase, 1978 ; 1984
A noite (Teatro), 1979 ; 1987
Levantado do chão (Romance), 1980 ; 2002
Que farei com este livro (Teatro), 1980 ; 1988
Viagem a Portugal (Viagens), 1981 ; 2003
Memorial do convento (Romance), 1982 ; 2004
O ano da morte de Ricardo Reis (Romance), 1984 ; 2003
A jangada de pedra (Romance), 1986 ; 2002
A segunda vida de Francisco de Assis (Teatro), 1987 ; 1999
História do cerco de Lisboa (Romance), 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo (Romance), 1992
In nomine Dei (Teatro), 1993
Cadernos de Lanzarote I (Diário), 1994
Ensaio sobre a cegueira (Romance), 1995 ; 2004
Cadernos de Lanzarote II (Diário), 1995
Cadernos de Lanzarote III (Diário), 1996
Todos os nomes (Romance), 1997 ; 1999
Cadernos de Lanzarote IV (Diário), 1997
Cadernos de Lanzarote V (Diário), 1998
O conto da ilha desconhecida, 1999 ; 2005
Discursos de Estocolmo, 1999
Folhas políticas (1976-1998) (Crónicas), 1999
A caverna (Romance), 2000 ; 2001
A face de Saramago, em colab. com Maria Paula Lago, 2000
A maior flor do mundo (Infanto-juvenil), 2001 ; 2002
O homem duplicado (Romance), 2002 ; 2003
Don Giovanni ou o dissoluto absolvido (Teatro), 2005

quinta-feira, setembro 01, 2005 

O LUGAR DA HISTÓRIA


A Batalha da Roliça

Enquadrada na 1ª Invasão francesa, a Batalha da Roliça viria a ser o primeiro grande confronto entre o exército francês que na altura ocupava Portugal e o exército britânico que entretanto tinham desembarcado no nosso país e que era comandado pelo mítico Sir Arthur Wellesley (futuro Duque de Wellington). O confronto militar deu-se no dia 17 de Agosto de 1808 tendo os primeiros tiros sido dados ainda nos limites do actual Concelho de Óbidos terminando as hostilidades na zona da Roliça, mais concretamente junto dos altos da Columbeira, com a completa vitória das forças inglesas sobre as tropas napoleónicas. Foi a primeira das muitas vitórias de Arthur Wellesley sobre as tropas francesas que culminaria, anos mais tarde, no triunfo da Batalha de Waterloo (1815) e consequente derrota de Napoleão, acontecimento este que mudaria para sempre o xadrez geopolítico da Europa do século XIX.
A exemplo do que já se faz lá fora ao nível das reconstituições históricas das Batalhas Napoleónicas, era importante o Concelho do Bombarral e os Bombarralenses começarem a preparar condignamente a comemoração dos 200 anos da Batalha da Roliça que irá ocorrer em 2008. É poís necessário um novo olhar sobre este episódio militar tendo bem presente as enormes potencialidades turístico-culturais que este acontecimento histórico representa quer ao nível da divulgação do Bombarral quer no que diz respeito à salvaguarda do seu património histórico.